Deixar ir
Edição extra apoiadoras #36
Existem certos momentos da vida que o novo sussurra “ei, me deixe entrar”. Faz isso não por zelo, mas por aguardar que o devido espaço lhe seja dado.
Pedimos o novo, mas muitas vezes fazemos isso agarrados ao velho. Se despedir do que é conhecido é bem mais difícil do que dar boas vindas ao que é ainda mistério. O velho é quentinho, mesmo quando machuca, é algo familiar ao corpo, padrões, pelas pessoas que nos cercam. Deixar ir é ato de coragem. Lucidez. E por que não, um tanto de loucura.
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Para enxergar com clareza o que chega é preciso voltar-se ao que já morreu.
Retornar. Não para as lamúrias, mas para o enterro daquilo que pede para ser descartado.
Ritualizar passagens é uma forma de alinhar consciente/inconsciente. Colocar todo mundo na mesma página para que por fim, os processos aconteçam e os espaços sejam redecorados.
Refletindo sobre tudo isso ( e vivendo na pele também), trago nesta edição um ritual uma oficina de escrita para quem quer se despedir de velhas roupagens e abrir as portas para o mistério que pede passagem.




